Coincidências existem?
Pesquisando sobre a questão acima, me deparei com teorias diversas, conforme a crença de cada qual. Os mais espiritualizados afirmam que “nada acontece por acaso”. Do que se poderia deduzir que “coincidências são pequenos milagres onde Deus quis permanecer anônimo”, ou, ainda, que “o Universo conspira...” a favor ou contra, de acordo com as atitudes do vivente. Isso equivale a dizer que não existe coincidência, mas, sim, causa e efeito. O que nos leva a outro princípio – defendido por alguns cientistas e refutado pela maioria: o da força do pensamento. A idéia vem sendo divulgada desde os anos cinqüenta, com a publicação de Norman V. Peale, “O Poder do Pensamento Positivo”. Como essa fórmula de autoajuda mostrou-se um sucesso – especialmente para o autor – muitos outros escritores enveredaram pelo mesmo caminho. No ano passado, “O Segredo” estourou na parada. A autora, Rhonda Byrne, explica que é só pedir, acreditar e receber, que o Universo inteiro se move para deixar visível a coisa pedida e construída pela fé, no plano da invisibilidade. A explicação “científica” – nunca provada cientificamente – é de que, ao pensar, estaríamos emitindo uma alta freqüência capaz de influenciar os eventos. Como todos pensam, estaríamos interligados através desse campo energético de efeito dominó. Acho que essa teoria deu origem à frase “Uma borboleta que bate asas no Japão pode causar um tornado no Brasil” (Deixa Santa Catarina saber disso!). Do outro lado, o grupo dos mais racionais fala da lei das probabilidades, que rege os números muito grandes. Garantem que, se compreendêssemos essa lei e observássemos as estatísticas, não nos surpreenderíamos com “coincidências”.
Feita a devida explanação, cabe ao leitor enquadrar o fato abaixo em seu respectivo lugar, ou tecer nova teoria, se for o caso.
Há anos atrás, um cidadão cujo nome devo preservar, andava pela rua com um sentimento de impotência diante da situação: era fim de mês, o “caixa” esvaziara, e ele não fazia idéia de onde tirar trinta reais – na época, o equivalente a um terço do salário mínimo – para completar o valor que a filha necessitava para pagar a mensalidade do curso que fazia na capital. A passos lentos, remoía a dureza da vida, quando um ventinho gelado fez com que erguesse a gola do sobretudo e baixasse a cabeça. Então, viu voar a seus pés uma nota de dez reais. O homem, surpreso, olhou em volta: nem sinal de alguém, que poderia tê-la perdido. Recolheu-a e continuou andando. Outra baforada fria e novamente o gesto de apertar o abrigo e baixar a cabeça. E outra nota de dez lambendo o sapato. Depois de perscrutar o céu e alisar a cédula, retomou a caminhada, agora com vagar e um quê de expectativa. E... nada... até o fim da quadra. Finalmente, nova rajada do minuano. O homem instintivamente olhou em direção aos pés. Uma folha de hibisco, só! Sorria da própria ingenuidade, quando um ventinho de fim de inverno buliu com seus cabelos. A seus pés, a terceira nota de dez reais...
quinta-feira, 18 de março de 2010
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